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Psicologia

Suicídio e os dias atuais

15:12 - 18 mar 2019 | Por Vanessa Leite

Foto: Divulgação/Assessoria

Falar sobre suicídio é muito complexo e abrange diversos aspectos. Atualmente, os índices apontam aumento considerável desse ato de fuga da dor como também de transtornos mentais, além da maior busca por antidepressivos/ansiolíticos. Diante dessa realidade, cabe a nós fazer uma simples reflexão: por que esses números não diminuem?

A maioria da população vive um intenso sofrimento psíquico. Não basta apenas falar sobre essa questão social, é preciso abordar os vários fatores que contribuem para esta perda da valorização da vida, dentre eles, são muito recorrentes a depressão, conflitos familiares, término de relacionamentos amorosos e pressões psicológicas.

Felizmente, as discussões sobre o tema vêm ganhando espaço significativo na sociedade, apesar disso não se pode negligenciar a relação entre transtornos mentais e as razões do suicídio, representando mais de 90% dos casos, e já se tornou problema de saúde pública.

O preconceito em relação aos transtornos mentais, ainda se faz muito presente e pode ser apontado como principal causa dos atentados contra a própria vida, já que esse é um aspecto que dificulta a prevenção e, principalmente, a adesão ao tratamento na maioria dos casos. Nesse sentido, quando uma pessoa fica doente, é quase que natural a procura por ajuda profissional, entretanto quando as emoções não vão bem, o medo dos julgamentos e do estigma podem impossibilitara busca por apoio.

Falar sobre o suicídio é refletir sobre a vida, e não incentivar o ato. A prevenção começa quando deixamos de lado os mitos que existem em relação a esse assunto e passamos a discutir sobre o problema. Devemos também identificar os sinais que antecedem a ação e saber como ajudar uma pessoa que pode estar em sofrimento. Às vezes esses sinais não são compreendidos pela sociedade, ou até mesmo são velados, mas significam um pedido de socorro. O indivíduo que pensa e tenta esta prática sempre comunica sua intenção de alguma forma.

Observa-se ainda a dificuldade que as pessoas encontram em lidar com a angústia de quem está precisando de amparo.É importante compreender que o sofrimento do suicida é real, ao ponto que ele acaba com a própria vida num momento de desespero, por não encontrar auxílio para sua dor.

Precisamos ter sensibilidade para discutir essa realidade, olhar mais para o próximo, questionar a forma como vivemos e nos preocupar com as pessoas que estão morrendo aos poucos em vida. A ausência de lugares para falar sobre nossas dores e inquietações, sugere a criação de espaços de circulação da palavra e escuta dos sentimentos e angústias. Conversar sem julgamento e acolher quem está em sofrimento pode salvar vidas.

A introdução de um tratamento com psiquiatras e psicólogos é fundamental para o processo de recuperação. O apoio emocional da família é de suma importância, mas enquanto a sociedade não se conscientizar que o julgamento destrói os sentimentos de quem está sofrendo, essa realidade tem poucas chances de ser modificada.

O suicídio pode ser evitado e sua prevenção é possível de ser realizada. Ainda temos tempo para evitar muitas tragédias.

Não julgue quem se despede da vida todos os dias.